terça-feira, 28 de março de 2017

O Descaso com a Banda de Música de Baturité


Há dias expus em rede social reflexão sobre a importância da preservação das bandas de música municipais, inclusive pela proteção constitucional conferida a elas, pois se trata de patrimônio histórico-cultural, o que implica na sua defesa pelos municípios, assim como está determinado no art. 30, III, da CF/88. (pequeno discurso sobre a proteção das bandas de música e suas extensões)
·         Da ofensa ao mandamento constitucional
A cultura é um direito fundamental de 2.ª dimensão, por isso é um direito protegido constitucionalmente como garantia de um desenvolvimento social. A música é uma arte que agrega valores ao indivíduo da maneira que através do conhecimento artístico importa ao cidadão uma vigência maior no plano do seu olhar mais humano e mais sensível quanto suas relações sociais e coisas. Em vários municípios do Brasil, a contratação de algumas bandas para tocar em festas de comemoração do município ou apenas para marcar uma política maquiavélica tem um gasto único que daria para manter e conservar o patrimônio histórico-cultural, especificamente banda de música instrumental ou sinfônica, por mais de 5 (cinco) anos, pois o custo desta tradicional chega a ser a vigésima parte de um show efêmero que não proporciona ao individuo sua verdadeira identidade sociocultural.
·         A importância social das bandas de música
Já discorremos sobre a importância da valorização da Música, isso é radical para a compreensão da relevância social que as bandas de música acarretam. Consultamos ao maestro Themístocles Stanton, nosso colaborador, músico, graduando em música pela Universidade Federal do Ceará, com grande currículo musical para tratar sobre o assunto, o qual fala sobre a indispensabilidade deste patrimônio histórico-cultural: “As bandas de música possuem papel social, pois são responsáveis pela democratização do ensino de músico, elas são consideradas os conservatórios dos interiores do Ceará, haja vista o acesso à música ser bastante difícil, assim sendo a única forma de uma criança ou jovem se inspirar e estudar a música que irá o agregar valores, também pelo custo e as condições financeiras delas. Além disso, as bandas de música participam de toda a construção histórica de uma cidade e de um povo, pois ela estará presente fazendo o registro sonoro e contando a história através da música, participando assim da identidade de um povo”. Portanto, em razão dos novos riscos sociais, tais como a marginalização, a defesa da juventude contra as drogas, a redução dos crimes entre outros, podemos inferir o papel desta cultura musical a fim de reduzir ou até solucionar alguns dos problemas sociais.
·         O descaso com a Banda de Música de Baturité
Verificamos vídeos, fotos, registros, pesquisamos e entrevistamos músicos da referida banda a fim de colher informações sobre a tristeza enfrentada pela degradação e destruição gradual deste patrimônio por parte das administrações transcorridas no município. 
São vários problemas, o primeiro são as perseguições tanto de funcionários de outros setores quanto da Administração Municipal no que se diz respeito à jornada de trabalho dos músicos, pois eles ensaiam três vezes por semana, e isso para os perseguidores é muito injusto, porém o cargo de músico tem jornada de trabalho excepcional, haja vista que o momento que solicitarem a banda para tocar em eventos do município, eles estarão disponíveis, sem precisar pagar hora extra ou adicional noturno, o que nenhum outro funcionário exerceria sem as devidas condições, é o famoso ditado popular “falar é fácil”. Esse problema será solucionado quando a banda de música for regulamentada e tratada como cargo artístico com jornada de trabalho excepcional, atendendo a dignidade da pessoa humana no que se refere à qualidade de músico.
O segundo problema enfrentado é a estruturação da banda de música, pois carece de fardamento - estamos falando de fardamento e não de uma blusa com um nome desenhado que com a primeira lavagem desintegre -, de manutenção dos instrumentos, de apoio para o aumento da banda, inclusive a Administração Municipal não convocou os músicos aprovados no ultimo concurso, acreditamos que o administrador não vive no mundo o qual pessoas estudam sério para passar em concursos.
Aproveitamos o ensejo para lembrar aos administradores do município de Baturité: Músicos são seres humanos. Para nós, foi trágico saber que os músicos estavam sobrevivendo com meio salário, não atualmente, mas já analisamos daqui a responsabilidade com a cultura e com a dignidade da pessoa humana, pois sabemos que é um dos fundamentos jurídico precípuo resguardado no art. 1°, III da nossa querida desrespeitada CF/88. Além disso, conhecemos um princípio da irredutibilidade salarial, da proteção do salário, da continuidade da relação de emprego entre outros desrespeitados. Embora pareça não piorar... sim! vai piorar! Recebemos informações que estão estudando a possibilidade de tornar os ensaios da banda na jornada comum e tirar os trabalhos que os músicos de Baturité tenham cumulado e fazer-lhes escolher entre a banda e o outro serviço, porém já foi dito aqui que o cargo tem jornada excepcional e suas peculiaridades.

Portanto, acompanhamos essa tristeza e abandono deste patrimônio histórico-cultural, e partindo às provas, segue um link de um vídeo sobre a situação dos instrumentos da banda e que vejam e sintam esta situação. (S.O.S Baturité Banda de Música)
Músico trabalha, o problema é que as pessoas não têm educação musical e cometem o triste preconceito com esta classe, com certeza, por pura ignorância.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Feliz dia das mulheres!

Valorizamos este dia com ênfase em conquistas e movimentos que oxigenaram, em pequena escala, o âmbito dos direitos sociais e políticos das mulheres. Embora isso, ainda sim a mulher sofre por sua condição, tanto no universo político, quanto no escopo social. Diante dessa realidade, ainda existe a desvalorização em diversos meios da figura feminina, exemplo disso é a violência doméstica, que mesmo com o advento de uma punição mais rígida com a Lei Maria da Penha (11.340/2006) para os casos de violência ampla contra a mulher, ainda assim é comum vermos assassinatos ou diversos tipos de violência por motivos fúteis e torpes. No meio político, vemos o desrespeito total contra a mulher, inclusive com os discursos de ódio proferidos por candidatos que não se conformam com a igualdade material de direitos entre mulher e homem, o que é um absurdo esses discursos.
Nós desejamos um feliz dia, ano e milênios de progresso nessa grande e árdua batalha por melhorias. Sabemos que a mulher, em seu aspecto biológico, familiar e social exerce um papel indispensável, relevante e superior, por isso reconhecemos o valor que cada uma possui.
Mulheres, reconheçam vossos valores, vossas conquistas e sejam cada dia mais racionais para enfrentar cada dificuldade que a vida impõe.
Feliz dia das mulheres!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Ser bom é insignificante: a pobreza do espírito


Notadamente, observa-se que a sociedade atual consumista, narcisista, egoísta, que enfatiza mais o ter do que o ser, vigora uma pobreza superior que é fundamento para todas as outras espécies de pobreza. A relevância sublime dada ao material é causa principal da transformação do homem em produto do tempo, este que é tão efêmero como a própria existência, aliás, sobre a mortalidade e em sentido amplo, a vida é a contagem regressiva indeterminada para a morte. É por isto que ser bom é insignificante, não pelo fato da importância que é ser imortal para as gerações, mas pelo fato da sociedade deturpada de exclusividade à matéria, destitui toda a crucialidade das relações sociais, o que explica o valor de alguém pelo que tem e não pelo que é. 
Por conseguinte, é válida a inexistência da compreensão de bondade, benevolência, amor, respeito, humildade entre outros valores e virtudes, porque o ser pode ter todas elas, mas se o falta a matéria exigida pela sociedade para sua classificação dentre uma escala de riqueza, que conhecemos como status social, o ser virtuoso não é. 
Além dessa lástima realidade, não basta ser bom em sentido geral, o custo disso é tristemente sofredor, porque é mais fácil atender aos critérios de uma falsa realidade e também ter várias vidas e personalidades, do que ser bom e ser criticado como um "besta", e pobremente receber o banal conhecimento popular de que "quem tem pena do coitado, fica no lugar dele". Assim, se a pobreza é o não ter, será que somos pobres de espíritos pelo que não temos ou pelo que não somos? Porque se para nossa subsistência precisamos do ter, isso é totalmente essencial, mas não tão quanto sua extrema importância ao ponto de sermos infelizes e antiéticos, fato esse que explica os políticos que tanto têm e não são o que deveriam ser. 
Portanto, a pobreza espiritual é consequência do desequilíbrio entre ser e ter, pois o fato de querer ter a matéria não acarreta necessariamente na nossa deturpação sobre o que podemos ser, deve-se haver o equilíbrio entre a existência física e espiritual, mas infelizmente é mais evidente o aperfeiçoamento do físico sobre o espiritual, o nosso ser, e no fim, o que somos e temos? Ninguém sabe, mas para nós que ficamos vivos, só fica a matéria.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

A vulgarização do amor e das relações entre pessoas que se amam.


Este texto não tem caráter científico, entretanto parte de reflexões filosóficas e empíricas baseada em experiência de indivíduos que contribuíram com o texto, e análises da atual conjuntura social na qual vivemos.
            O amor é um dos sentimentos mais difíceis de conceituar, haja vista ser um sentimento variável de acordo com a subjetividade e contexto de vida de um indivíduo. Há várias concepções e maneira de amar, depende muito da referência que está sendo analisada, no caso deste texto nos referimos ao amor eros, entre homem e mulher. Sabemos que cada caso tem sua devida particularidade e não há uma generalização do que estamos expondo, porém há certas generalidades em cada relação que hoje podemos analisar e extrair as banalidades que pretendemos expor. Demonstraremos aqui a importância do sentimento dentro da relação entre amantes (quem ama bilateralmente) e seu fundamento para uma sociedade melhor.
O AMOR E SUA ORIGEM NO SER
            O amor é um sentimento atemporal, não se sabe ao certo quando inicia, quando existe ou se existe numa determinada relação, mas os sentidos são tão indeterminados e complexos que causam nos indivíduos a ilusão ou não de amar. O gostar ou querer nasce em várias espécies, focaremos nesta parte na carnal e no interesse psicológico. Na primeira maneira é a aparência que cria o desejo do encontro carnal, a beleza que é aparente ou externa causa no sujeito ativo à curiosidade de sentir fisicamente o outro, já no interesse psicológico é o inverso, as impressões são em longo prazo, é através do contato verbal, do conhecimento de um o que o outro é quanto sua personalidade, satisfazendo naquele os padrões almejados como companheiro, o que leva o sujeito ativo a pensar que o passivo é perfeito aos seus olhos, aos seus padrões. Consideramos o amor quando a aparência e o interesse psicológico comungam e causam um mistério maior nos sentidos, desprezando as mínimas diferenças e criando um elo de perfeição entre os indivíduos, isso quando há reciprocidade, pois quando não há o significado tange a paixão.
O ESPIRITO GERAL E O AMOR
            Neste sentido, segundo as fontes espirituais, por exemplo, a Bíblia, o amor não ultrapassa a essência, é inexplicável quanta definição, mas tão expressivo quanto às emoções, as atitudes do corpo traduzem os sentidos do espírito. Assim o amor é um dos sentimentos mais importantes, tão quanto à fé e a esperança, pois é dele que surgem todas as outras virtudes do ser humano. O amor torna-se tão essencial que sua acepção é utilizada neste contexto de maneira geral, assim o faz quando Jesus vem não para nos julgar, mas sim para ensinar a amar o próximo, Ele não especifica, porque amar não é efêmero, é fundamental, tão quanto à vida, é tal que ele morreu por amor ao seu povo. E o que toca esse fato ao amor entre duas pessoas? É o mesmo preceito, quando amamos, sentimos o amor de maneira vital e inerente à nossa própria condição humana, em todas as relações, infelizmente as pessoas esquecem que o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta.
SOCIEDADE E AMOR
            Atualmente, o amor, assim como outros sentimentos cruciais estão sendo capitalizados, sendo confundido e banalizado diante da sociedade de aparências e do consumismo, isso é claro quando os meios sociais e músicas exprimem as dificuldades e deturpação da figura feminina, da ênfase nas traições e nas mazelas da imagem corrompida que o amor sofre. Dessa forma, consequentemente, as relações rotulam-se, criam prazos de validades e baseiam-se em outros vínculos que não se consumaram devido os próprios sujeitos já alienados pela destruição da imagem do amor no meio. Portanto, o primeiro estágio da família corre risco por motivos externos que não fortificam a união de dois seres responsáveis com o futuro de uma nova geração.
FATORES DEGENERATIVOS DO AMOR

            Diante do escopo, o sentido de amor degrada-se no transcorrer das determinações fanáticas e dotadas de falácias que a sociedade do prazer superficial exala. O maior problema não é somente os fatores externos da sociedade, mas também a carência de arte, leitura, músicas que transmitam poesias a favor do meio social, afinal, de tudo que humaniza os seres de uma relação, porque infelizmente o próprio indivíduo que foca na ostentação de fama, “curtidas”, visualização da própria imagem e nas entradas desses novos grupos sociais gerados de uma sociedade destruída sentimentalmente, é fator cerne da questão da vulgarização do amor, porque esses são os que sucumbem aos padrões e deixam o sentimento transformar-se em um vinculo falido, porém o que está falido é o próprio corpo social, a integridade psicológica dos indivíduos e o compromisso com as gerações posteriores.