segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Alice no país das aparências.


              Há muito tempo atrás Platão escreveu em sua obra A república o “Mito da caverna”, este que tão bem define todas as formas de relação de nosso ego com o mundo exterior, dessa forma não poderíamos discorrer sobre a evidente situação do mundo fundado nas aparências sem utilizar do mito como fonte imediata de nossa reflexão. “Mas o que seria a caverna? O mundo de aparência que vivemos. Que são as sombras projetadas no fundo? As coisas que percebemos. Que são os grilhões e as correntes? Nossos preconceitos e opiniões, nossa crença de que estamos percebendo é a realidade. Quem é o prisioneiro que se liberta e sai da caverna? O filósofo. O que é a luz do Sol? A luz da verdade. O que é o mundo iluminado pelo sol da verdade? A realidade. Qual instrumento que liberta o prisioneiro rebelde e com o qual ele deseja libertar os outros prisioneiros? A filosofia.” (Marilena Chaui – 2012)
"O nosso meio está repleto de farsas, a “verdade” que a séculos nos foi passada nunca nos traduziu a realidade. Tomamos posse de uma cultura embasada em argumentos arquitetados tendo com o único objetivo massagear nosso ego, de modo que costumes foram solidificados como função geratriz de seres impensantes. Um exemplo prático do citado acima está na ambição humana em busca de títulos. Mais valor se dar aquele que segue convenções sociais, que se enquadra em padrões solidificados por meia dúzia de pessoas elaborados segundo seu individual.
            Há algum tempo, o perfil de mulher ideal e desejável para algumas sociedades era de um corpo dotado de mais porte, o que dava ideia de uma maior fertilidade. Note o quanto as coisas mudaram, observe a construção de paradigmas elaborados por conjuntos que não respeitam de nenhuma forma a liberdade individual. Falácias são nos repassadas todos os dias, a nossa mídia é riquíssima em conteúdos enviesados, tudo é posto de forma unidimensional.            Felicidade? É possível definição sem o ingrediente dinheiro? Sem estar conforme a maioria, nem se enquadrar a algum perfil desejável? A verdade absoluta é definida arbitrariamente e todos os outros argumentos são taxados como fajutos, pois o que é um argumento se não possuir aclamação de uma ampla maioria?!
            Título, status, mais do mesmo... O superficial é tão importante quanto o essencial e não é preciso se preocupar com aspectos qualitativos de alguém, afinal de que importa o caráter se a valorização se dá unicamente pelo ter. Estamos imersos em um mar de ignorâncias que nos faz agonizar todos os dias para dentro do total breu." (Thiago Henrique)
               "Observamos o quanto o ser humano busca o que é mais aparentemente agradável, e essa é a origem dos preconceitos, da visão de algo pelo que se “ver” dentro de sua própria caverna e o que realmente “é” na realidade. Por exemplo, quando alguém vai comprar um celular, geralmente busca um celular com diversas funcionalidades e com novos aperfeiçoamentos tecnológicos, traduzindo a aparência que a sociedade e a mídia refletem, enquanto suas funções se distanciam da finalidade objetiva que o aparelho deveria ter. Nessa concepção, a caverna não parte somente do ego, mas sim de mais pessoas presas no mundo interior e das ideias infungíveis com a realidade, acarretando problemas diversos para o meio social, tais como crises ambientais e nas relações pessoais. Tudo que vemos é uma impressão imediata do que enxergamos, não o “ser” do algo, o que poderá causar uma indeterminada crise quando outro extrair distinta interpretação e nos expor esta. Por conseguinte, imaginemos se ainda pensássemos que o Sol gira em torno da terra? Se todas as doenças psicológicas fossem motivadas com possessão demoníacas ou pragas jogadas pelos deuses? Se o tempo não pudesse ser medido?  Que o mundo é quadrado? São todas essas indagações que foram resolvidas em momentos de crises que se desenvolvia entre o parecer e o ser. Portanto, não podemos julgar algo apenas pelo que parece, pois sempre há uma expansão daquilo que ele realmente é, pois a única coisa que sabemos de tudo é que de tudo pouco sabemos. Contudo, sabemos que não é tão simples, haja vista que já estamos nessa conjuntura na qual o aparente é o que importa, a fama é sinônimo de posto da verdade e o filósofo e amante eterno da sabedoria é o louco para os habitantes da caverna conjunta que hoje a sociedade se tornou, não é só a visão pejorativa, pois acreditamos que ainda há vulgo os loucos persistindo em não se corromperem com o que os impõem, são esses que a História nos revela como condenados a viverem questionando e serem destruídos pela sociedade e futuramente serem lembrados como alguém importante, pois é mais fácil prestigiar e relevar em morte do que em vida. Afinal o que houve com Sócrates e Jesus?" (Yago Nascimento)

sábado, 26 de dezembro de 2015

Aracoiaba: O agir de uma juventude em ascensão.

Da esquerda para a direita: Glaubson Oliveira, Crislanny Leandro, Cinara Alves, Francisco Pinheiro, Stênio de Lima, Jhonatan Carvalho e Yago Nascimento.

Desde o I Congresso da Juventude de Aracoiaba que nos indagamos sobre a relevância dessa iniciativa para o município, não negamos que por alguns momentos desacreditamos fundado em  várias questões, mas o que nos fez reverter a descrença foi o olhar não pejorativo sobre as ações do homem, buscamos mais uma vez o lado bom das atitudes humanas, pois não queremos morrer estando vivo e passar nossa história como mais um que vive por razões individuais e egoístas, pois isso destrói a nossa futura geração e consequentemente o nosso habitat.
Passamos por uma grande crise ignorada, uma devastadora crise social. Neste mundo cheio de maldades onde as aspirações benignas são banais e utópicas por vivermos uma realidade na qual não fazemos nada para mudar. As guerras, as corrupções diversas, as desigualdades sociais, os preconceitos que geram as violências e tantos outros problemas que seriam resolvidos com a razão humana através do diálogo pautado no respeito ao próximo. Por isso que nossa crença reformulou-se e damos a nossa contribuição para fazermos parte das atitudes que acreditamos que trará a mudança em escala local e futuramente em escalas maiores. O grupo da juventude de Aracoiaba depois do congresso iniciou suas ações, demonstrando a quebra da normose e das palavras sem ação (hipocrisia), colocaram a praxe como ideia principal. Dessa forma, o grupo contribuiu para o Natal de Luz do município com músicas e encenações após a apresentação do concerto da Orquestra Municipal de Aracoiaba em uma noite brilhante. Em seguida o grupo organizou-se e realizou a sua segunda ação, a mais bela ação, por pensar no lado humano que é o principal para solucionar vários problemas sociais, por pensar na solidariedade, por pensar acima de tudo no amor ao próximo. O ato de levar o natal para pessoas que passam por dificuldades, visitando os pacientes do Hospital do município e proporcionando a eles a compaixão, os sorrisos e as emoções, com mensagem de força e músicas natalinas que pudessem mostrá-los que o amor e a esperança ainda existem no nosso meio, que o lado humano não se perdeu sob as maldades e facilidades que a globalização acarreta, que é possível o elevar de nossa condição humana, é viável a paz. Tendo em vista isso que passamos a acreditar que a juventude de Aracoiaba não somente pensa, ela está agindo com seu lado humano e está buscando agregar suas ações e atitudes em prol de uma nova finalidade, o desenvolvimento social e humano. Portanto, não vemos o interesse individual sobressaindo o coletivo, analisamos que o bem comum está como fundamento e raiz de toda a ação da juventude de Aracoiaba. Almejamos o crescimento do grupo e que as ações continuem pautadas nos valores e princípios que os próprios jovens construíram. Parabenizamos a coordenadoria da juventude do município e nos dispomos no que for preciso para ajudar, pois estamos por quem não só defende no bem comum, mas também em quem o busca através da prática.









Juventude que participou do I Congresso da Juventude de Aracoiaba

Apresentação da Orquestra Jovem no I Congresso da Juventude, sob à regência do Maestro Themístocles Stanton

Primeira reunião de elaboração do plano de ação da juventude.

Jovens que participaram da reunião.

Jovens que participaram da reunião.


Apresentação da Orquestra Municipal de Aracoiaba no evento Natal de Luz do município.

Orquestra interagindo com o público.

Apresentação do coral da juventude no Natal de Luz.




Apresentação do coral da juventude.

Apresentação da encenação sobre o nascimento de Jesus.






Preparação para a visita aos pacientes do Hospital do município.

Música para os pacientes.


Juventude e os enfermeiros do hospital.





Da esquerda para a direita: Glaubson Oliveira, Crislanny Leandro, Cinara Alves, Francisco Pinheiro, Stênio de Lima, Jhonatan Carvalho e Yago Nascimento.



sábado, 7 de novembro de 2015

Humanos: Tão animais quanto qualquer outro.



Ah! Os humanos, únicos seres vivos dotados de racionalidade, criados à imagem e semelhança de Deus, ou a espécie sortuda que via seleção natural conseguiu evoluir de tamanha forma a ponto de dominar sobre o planeta terra, desenvolvendo tecnologias, possuindo uma gramática única. Quão especiais são os seres humanos, mas o que vem acontecendo com eles nesses séculos? eram tão sociáveis.
Hoje estava em uma parada de ônibus em Fortaleza, quando chegou um senhor bastante eufórico. Tendo em sua mão um envelope com o logo do Hospital Haroldo Juaçaba (O Hospital do Câncer). Havia na mesma parada algumas outras pessoas. Ele indagou, dirigindo-se a qualquer que quisesse responder, se alguém poderia o informar quando viesse seu ônibus, pois não sabia ler.
            Mas ninguém o deu atenção. Dispus-me a comunicá-lo. Logo começou a contar o que parecia saltitar de sua boca, muito inquieto. Disse que acabara de vencer uma batalha em sua vida, que todos os anos retornava ao hospital para mapear o estado de seu câncer, porém essa seria a ultima vez que se submetia a esse transtorno, seu médico disse que estava curado.
Isso me faz refletir o quanto estamos às cegas nos preocupando somente com nós mesmos, na escuridão em busca de coisas supérfluas. Estou certo que dinheiro não compra a felicidade, mas compra um telescópio com abertura de 200 mm, ou um violino modelo Stradivarius feito por Luthier. Mas é preciso muito mais que dinheiro, temos que ter afeto com o outro. Onde estão seus valores, sejam religiosos ou morais. É preciso muito mais que conhecimento técnico, note que os maiores pensadores não estavam preocupados somente em calcular a área sob uma curva por meio de integrais, eles estavam também preocupados com o rumo que nossas relações iriam tomar.

Aproveito o ensejo de uma postagem recente do Blog(http://migre.me/s347I), onde é discorrido sobre o processo de deterioração dos valores humanos, observa-se que nossa essência esta sendo minguada, nos aproximamos a galope em direção ao ser primitivo, não diferente de qualquer outra espécie, com características puramente animalescas. Talvez até esteja sendo injusto como pobre cão, tão fiel ao seu dono, ou a injustiçada árvore, que nos dá oxigênio e sombra em troca de ter suas semelhantes devastadas. Perdoe-me mãe natureza...
            Busquemos o progresso conjunto e não o retrocesso individual. Os convido a uma profunda reflexão sobre nossas atitudes.

domingo, 1 de novembro de 2015

O indivíduo e a banalização sexual.

É inegável na atual conjuntura social, a  existência plena de indivíduos que atuam e exercem papéis ativos na banalização sexual, haja vista que em diversas situações presenciamos a visão dos homens sobre as mulheres (reciprocamente também) como objetos sexuais, ou seja, apenas como um amontoado de "carne humana" descartável e abjeta. Os termos mais presentes para se referir às mulheres em conversas "masculinas" é recusável citar, pois destruiria a imagem e dignidade da mulher.
É mais que senso comum, sabemos da atuação da ocitocina, conhecido como "hormônio do prazer", presente tanto no homem quanto na mulher, hormônio esse produzido no hipotálamo, onde é liberado na corrente sanguínea. Ele atua fisicamente no organismo, aumentando a potência sexual, elevando a sensibilidade peniana ao contato e principalmente o libido. Está presente em todas as relações, são hormônios que atuam na mudança do comportamento humano, porém nada justifica tratar o prazer como algo pejorativo, pois a racionalidade traz ao escopo social o aprimoramento e relevância das relações sociais, agregando a si o decoro, à liberdade supraformal, à dignidade etc. Portanto nenhuma ação fisiológica justificaria o ato banalizador da figura feminina, que na maioria tem o controle de suas ações. Muitas agem mais por sentimentos do que por prazer, isso nessa perspectiva.
Segundo a mestre em direito Rita de Cássia Vieira, "A banalização das relações sexuais, como mera fonte de prazer sexual, gera o pensamento pró-aborto"(jornal O Globo, de 26/10/2007). Além disso as consequências dessa banalização são mais amplas do que o expressado pela autora, acarreta também a desvalorização da imagem feminina, a decadência da moral, a visão antiética e a destituição dos valores que ainda sustentam as relações sociais, haja vista que se não há o equilíbrio entre a emoção e o prazer agiremos todos como animais, regrediremos ao estágio de natureza.
Por conseguinte, observá-se a predominância do sexo pejorativo e com finalidade meramente descartável nos homens, são poucas as mulheres que sucumbem aos prazeres físicos e banais. Tendo em vista isso, analisá-se a carência dos valores mais em homens do que em mulheres. Mas além dos valores, há escassez da base do que é ser humano, a racionalidade, o ato de pensar e de agir em torno do bom senso. Nessa temática o homem se torna mais um animal movido a instintos, assim como ver um "canil em busca de uma cachorra no cio". No entanto, pequena parte das mulheres permitem essa destruição da sua imagem, ao se entregarem aos prazeres carnais esquecem que possuem um cérebro e que podem mudar essa visão sobre elas. A mídia, as músicas atuais de diversos gêneros atribuem essa imagem da mulher ser apenas "uma noite", um brinquedo para o prazer e nádegas móveis, estereótipos pregado numa sociedade hipócrita. Esta hipocrisia baseia-se na concepção de que o nosso Estado Democrático de Direito admite o princípio da dignidade da pessoa humana como valor fundante do sistema brasileiro (CF, art. 1°, III), não é contradição permitir esse ferimento à dignidade dos homens?
Mesmo em um contexto histórico machista, não obstante uma reforma nos atos educacionais a fim de proporcionar e ensinar ética em geral e os valores que nos regem em sociedade, pois tudo isso só seria plausível se fôssemos uma anarquia e selva.
Em suma, é imprescindível a discursão sobre a temática e as ações cabíveis para a próxima geração, pois no nosso  país, isso já é cultura e só um longo processo educacional reformularia essa visão banalizada do sexo.